Em mês de comemorações decidimos retomar as entrevistas aos nossos Neveiros. A escolha não foi fácil, mas conseguimos chegar a um consenso. Escolhemos como alvo, para esta nova etapa, Emilio Miranda, 44 anos, técnico administrativo do Círculo de Leitores com gosto pela produção gráfica e dançador dos Neveiros do Coentral por "devoção", um dos anteriores editores do Jornal O Neveiro.
- Há quantos anos fazes parte do Rancho Folclórico Neveiros do Coentral (RFNC)? Podes contar-nos como entraste para o rancho.
Faço parte do RFNC desde que este voltou a existir nesta sua segunda vida, ou seja desde 1979. E porquê? Porque o meu pai tinha feito parte da primeira formação (isso foi fundamental), devido ao Coentral, pelo convívio que proporcionava, porque não tinha nenhuma ideia do que isto era e também porque tinha 13 anos. Matematicamente falando e concluindo, são 31 anos de folclore.
- O RFNC comemora no próximo mês de Julho o seu 46º aniversário. O que é que achas que falta ao rancho fazer no espaço de tempo até ao cinquentenário? Qual a experiência que gostavas de vivenciar?Talvez um projecto comemorativo?
Nos dias que correm, o papel que o RFNC ocupa nas nossas vidas é um pouco diferente daquele que teve na sua primeira existência assim como na década de 80 ou 90. Na minha opinião o RFNC é quase como uma reserva cultural e social, um espaço onde nos encontramos de uma forma física e real bem diferente de algumas outras formas de convívio, que nos rodeiam, nesta primeira década do século XXI. Felizmente (ou infelizmente) esse é o seu actual papel.
Para alguns outros e, se calhar não são assim tão poucos, é quase como um ginásio, sem subscrições, quotas mensais, toalhas ou cadeados. Mas existe ainda uma ideia que acho importante salientar, o RFNC vive uma época de uma maior maturidade, porque todos aqueles que cá andam, andam porque realmente querem cá andar.
Salientar uma experiencia vivida ao longo dos meus 31 anos é extremamente difícil, são muitas, falar de tudo aquilo que sentimos nas duas aventuras que foram o Brasil seria incontornável, não sei, o melhor é continuar a vivê-las.
Um projecto que poderá fazer sentido para o Cinquentenário, assim mesmo "a lá longue"... poderá ser um passeio, porque não??
E pela minha parte, poderemos voltar a (subir e) descer o fascinante rio Douro.