O Jornal Entrevista com
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O que é ser Neveiro para ti?
Ser Neveiro para mim é ser do Coentral. Ou seja, é algo que se sente no interior. Apesar de ser "Alfacinha", digo a toda a gente que vou à minha terra, quando vou ao Coentral. Como alguém disse, "Uma vez Neveiro, Neveiro para sempre". É isso que eu sinto apesar de infelizmente, não poder estar no activo.
 
Como foi a tua experiência como ensaiadora dos mais novos?
Ser a ensaiadora dos mais novos, é uma expressão ou título, muito forte. Apenas dei uma ajuda à ensaiadora a sério, para os que estavam a começar terem umas bases dos passos mais simples. Isso não teria sido possível sem o apoio dos vários pares de bons bailarinos que me ajudavam e suavam as estopinhas porque tinham de fazer 2 ensaios. E também, se depois a "ensaiadora mor" não os tivesse integrado tão bem. Mas de qualquer maneira, tenho a dizer-vos sinceramente, que foi das actividades que mais gostei de fazer no Rancho.

 

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ent_palmira_simoes_01Agora que estamos quase no final da época que balanço fazes de mais um ano de Neveiros?
Pois é! Estamos na ponta final de mais um ano “lectivo, para mim na parte mais difícil de passar e na que me dá menos prazer! Ir para uma actuação é sempre um stress: não esquecer nenhum pormenor na programação, recear se acontece algum erro, tentar passar boa disposição e calma mesmo quando eu própria não o estou, “tomar conta” dos músicos, fazer a apresentação… enfim, uma infinidade de coisas que têm que ser feitas e que não são as que mais gosto de fazer. O que eu gosto mesmo é de dançar… mas como já não posso, gosto muito de transmitir os meus conhecimentos a todos os bailarinos e ver-nos evoluir!

Aproveitando algumas das palavras que o Milo nos deixou na última News, sobre a maturidade que o RFNC tem nos dias de hoje. Sentes que este ano os aspectos mais negativos dos últimos anos (como a assiduidade nos ensaios e actuações) foram menos evidentes?
No final da época passada, depois de grandes dificuldades para ter elementos suficientes para algumas actuações (e foram poucas …), fiz um balanço “familiar” e discutimos a eventual hipótese de não aceitarmos actuações, limitarmo-nos aos ensaios. Mas cheguei à conclusão que isso não fazia sentido: ensaiar para quê? As actuações servem também para mostrarmos o nosso trabalho ao longo do ano! E os ensaios são muito importantes! Sim, porque nos ensaios eu sinto que, sempre trabalhando e aprendendo, nos divertimos imenso e duma forma geral acho que toda a gente gosta dos ensaios. A assiduidade, o empenho e a entrega nos ensaios é uma constante. Eu cada vez gosto mais de vos ensaiar e acho que vocês cada vez gostam mais dos ensaios… e da ensaiadora!!! Em relação às actuações as dificuldades mantêm-se um pouco. Primeiro a época de exames… depois a época balnear … enfim: ir a uma actuação com muita gente não está fácil! Aliás, neste momento ir simplesmente a uma actuação não está fácil! Estamos em véspera de uma actuação que não sei como é que vocês vão aguentar: 1 hora em palco, 10 danças com 6 pares… não vai ser fácil! Mas vocês são muito bons, fortes e resistentes! Boa sorte!
Ainda em relação às actuações, este ano foi notório o aumento de convites para irmos a diferentes sítios do país, para além das que aceitámos (cerca de meia dúzia) tivemos mais uns dez convites. Como vêem cada vez chegamos a mais gente, cada vez as pessoas querem mais conhecer a nossa história e o nosso folclore. Acho que para este facto muito contribuiu o nosso site tão bem elaborado e actualizado: Parabéns aos responsáveis e colaboradores! Continuem!

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Em mês de comemorações decidimos retomar as entrevistas aos nossos Neveiros. A escolha não foi fácil, mas conseguimos chegar a um consenso. Escolhemos como alvo, para esta nova etapa, Emilio Miranda, 44 anos, técnico administrativo do Círculo de Leitores com gosto pela produção gráfica e dançador dos Neveiros do Coentral por "devoção", um dos anteriores editores do Jornal O Neveiro.

Emilio Miranda- Há quantos anos fazes parte do Rancho Folclórico Neveiros do Coentral (RFNC)? Podes contar-nos como entraste para o rancho.
Faço parte do RFNC desde que este voltou a existir nesta sua segunda vida, ou seja desde 1979. E porquê? Porque o meu pai tinha feito parte da primeira formação (isso foi fundamental), devido ao Coentral, pelo convívio que proporcionava, porque não tinha nenhuma ideia do que isto era e também porque tinha 13 anos. Matematicamente falando e concluindo, são 31 anos de folclore.

- O RFNC comemora no próximo mês de Julho o seu 46º aniversário. O que é que achas que falta ao rancho fazer no espaço de tempo até ao cinquentenário? Qual a experiência que gostavas de vivenciar?Talvez um projecto comemorativo?
Nos dias que correm, o papel que o RFNC ocupa nas nossas vidas é um pouco diferente daquele que teve na sua primeira existência assim como na década de 80 ou 90. Na minha opinião o RFNC é quase como uma reserva cultural e social, um espaço onde nos encontramos de uma forma física e real bem diferente de algumas outras formas de convívio, que nos rodeiam, nesta primeira década do século XXI. Felizmente (ou infelizmente) esse é o seu actual papel.
Para alguns outros e, se calhar não são assim tão poucos, é quase como um ginásio, sem subscrições, quotas mensais, toalhas ou cadeados. Mas existe ainda uma ideia que acho importante salientar, o RFNC vive uma época de uma maior maturidade, porque todos aqueles que cá andam, andam porque realmente querem cá andar.
Salientar uma experiencia vivida ao longo dos meus 31 anos é extremamente difícil, são muitas, falar de tudo aquilo que sentimos nas duas aventuras que foram o Brasil seria incontornável, não sei, o melhor é continuar a vivê-las.
Um projecto que poderá fazer sentido para o Cinquentenário, assim mesmo "a lá longue"... poderá ser um passeio, porque não??
E pela minha parte, poderemos voltar a (subir e) descer o fascinante rio Douro.

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